Domingo, 25 Setembro, 2022

Provesende: uma belíssima aldeia de xisto para descobrir no Douro

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A aldeia de Provesende é um dos tesouros mais espetaculares que podemos encontrar no Alto Douro Vinhateiro. Pertence ao concelho de Sabrosa e é um local único, por tudo o que reúne. Localiza-se mais especificamente na margem norte do rio Douro, sendo que o facto de estar no alto de um planalto permite vistas ímpares sobre a região vinhateira mais antiga do mundo, e que é orgulhosamente Património Mundial da UNESCO. Tanto na zona da sua povoação, como na deslumbrante envolvência onde o mais difícil é não ficar de alma arrebatada. 

Sem qualquer receio podemos considerá-la uma das aldeias mais belas da Europa, pelos motivos que já invocámos, mas igualmente por outros, como as pessoas que nela habitam, caracterizadas pela pureza de espírito e pela arte de bem receber.

Na verdade a intervenção humana está aqui bem marcada, mas com equilíbrio e de forma sustentada. Desde logo, nos impiedosos socalcos de xisto que marcam toda a paisagem montanhosa. São escarpas com padrões belos e marcantes no que nos habituámos a contemplar no Douro, mas igualmente casas de xisto, onde esta rocha metamórfica se apresenta em interligação com a natureza de forma indelével.

Provesende
Provesende

Em Provesende podemos destacar as vinhas que marcam todo o redor, mas também os edifícios existentes e alguns locais como a sua praça principal. Num passeio prolongado pelas ruas da aldeia observe os solares em granito e as várias casas nobres que atestam o poder e a riqueza da região.

O granito é a outra rocha que marca esta paisagem, por exemplo no seu Fontanário, que data de 1755, situado no centro da aldeia, junto da igreja Matriz. Junto à fonte existem alguns locais a explorar como uma padaria típica que preserva os traços da altura em que abriu portas, ainda na primeira metade do século passado.

Um dos projectos mais emblemáticos para esta “Aldeia Vinhateira do Douro” é um Museu relacionado com uma das mais marcantes pragas que atinge a atividade do vinho e da vinha. Falamos do futuro Museu da Filoxera. 

A razão de ser desta iniciativa tem muito a ver com o facto de ter sido na aldeia de Provesende que se começou a combater esta praga no século XIX.

Provesende
Provesende

Para se perceber a dimensão deste problema é importante referir que a filoxera chegou a destruir toda a produção de vinho do Porto no Douro, levando Joaquim Pinheiro de Azevedo, habitante em Provesende e proprietário na região, a iniciar o combate a esta praga.

Os efeitos foram extremamente destruidores, pois durante duas décadas as culturas de vinho do Porto foram dizimadas.

Para superar o problema foi decisiva a investigação e implementação de técnicas inovadoras por parte de Joaquim Pinheiro de Azevedo Leite Pereira, que procurou testar a resistência da enxertia das castas portuguesas em castas americanas. Assim, introduziu uma nova técnica no Douro e no país, tendo contribuído para a recuperação da vinha no território nacional.

De destacar que este viticultor foi um visionário ao levar para a frente iniciativas para espalhar o conhecimento, entre as quais a criação de uma “escola de formação” em Provesende. Deste modo, ensinou vitivinicultura e disseminou a informação e formação por podadores de vinhas, levando os conhecimentos a chegarem à região

Por outro lado, e no que respeita a acontecimentos que marcam a vida de Provesende, é de destacar o Festival das Aldeias Vinhateiras do Douro, que ocorre normalmente entre os meses associados à vindima, nomeadamente Setembro e Outubro. 

Conhecer Provesende vale francamente a pena por todos os motivos que mencionámos. Deixamos apenas o conselho, para que o faça a pé, pelas suas ruas estreitas mas marcantes.

No que respeita a situações a explorar num raio de poucos quilómetros partindo de Provesende, fica a sugestão para que explore um trilho pedestre entre esta aldeia e o Pinhão. É um caminho marcado por vinhas, que certamente lhe agradará fazer pela espetacular paisagem, mas igualmente pela exploração de aromas e cores que para os amantes da fotografia é imperdível.

Outras iniciativas relacionadas com a exploração de trilhos na zona do Douro são de destacar e sugerir, como a chamada Rota dos Vinhos do Douro. Esta incursão estende-se por 18 quilómetros, e tem partida e chegada em Ervedosa do Douro, no concelho de São João da Pesqueira.

Com esta ação pode certamente ficar a conhecer melhor as gentes, as vinhas e os locais aqui existentes que permitem a produção de tão grandiosos néctares. De destacar também que desfrutará de uma paisagem que proporciona momentos impressionantes e de raríssima beleza, verificando como se minimiza aqui a perturbação do equilíbrio dos ecossistemas.

Um exemplo disso é acompanhar ao longo do percurso a forma como os socalcos são trabalhados nas encostas, situação refletida no padrão tão característico, amplamente difundindo e que é inigualável quando observado ao vivo.

Neste espaço fica também referência ao Pinhão, enquanto local próximo de Provesende e que reúne algumas zonas de inigualável beleza. Destacamos dois aspectos destas, que é a zona considerada central da Região Demarcada do Douro: a sua estação ferroviária e a concentração significativa de quintas produtoras de vinhos, que se dedicam igualmente à atividade hoteleira e ao enoturismo.

Estima-se que a via férrea tenha chegado ao Pinhão em 1879 e que posteriormente se estendeu para o Tua, mas o que aqui se deve reforçar é a espectacular panóplia de azulejos que revestem a estação e que representam com especial destaque o cultivo da vinha e respetivas atividades.

Quanto a quintas envolventes, mencionam-se três exemplos de locais que convidamos a pesquisar e a conhecer, nomeadamente a Quinta do Seixo, a Quinta do Bonfim e a Quinta de La Rosa. Provas de Vinho do Porto, gastronomia típica duriense ou mesmo a hipótese de pôr as mãos nas uvas em tempo de vindimas, são algumas das opções que deve ponderar seriamente.

Diana Santos
Diana Santos
Nascida e criada em Barcelos, foi no Porto que estudou jornalismo mas chama casa à cidade de Guimarães. Alia o gosto pela escrita à sua paixão por viagens.

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