Domingo, 25 Setembro, 2022

7 aldeias pouco conhecidas para visitar no Norte de Portugal

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O Norte de Portugal é rico em pequenas aldeias, umas mais conhecidas do que outras, onde ainda são preservados muitos dos hábitos antigos das suas populações. Apesar de o progresso ter tomado conta de muitas delas, ainda existem algumas típicas e tradicionais, repletas de pequenos detalhes que nos fazem viajar no tempo.

Seja em Trás-os-Montes, no Douro, no Minho ou no Parque Nacional da Peneda Gerês, muitas destas aldeias começam agora a ganhar uma nova vida depois de algumas décadas de abandono. Motivadas pelo amor à terra e pelas tradições, existem pessoas que estão a recuperar casas ou aldeias inteiras com o intuito de voltar a dar-lhes a vida que outrora tiveram.

Visitar estas aldeias é mergulhar no mais profundo da nossa cultura, das nossas tradições e daquilo que somos enquanto povo. Preservá-las e estimá-las é respeitar a nossa história e assegurar que os nossos descendentes também as possam visitar. Descubra algumas das mais secretas aldeias do Norte de Portugal.

1. Germil

Germil
Germil

Em plena Serra Amarela, a pequena e singela aldeia de Germil é uma das mais rústicas e secretas aldeias do Parque Nacional da Peneda Gerês. Vale a pena caminhar pelas suas ruas calcetadas de granito e apreciar as suas casas típicas, humildes mas bem estimadas. Existem flores por todos os lados e os moradores estão sempre prontos para uma conversa.

Tal como outras aldeias da região, possui um conjunto de espigueiros, estruturas seculares para abrigar o milho dos roedores, mas não tão imponentes como os do Soajo ou de Lindoso, por exemplo. Existe ainda um Fojo do Lobo, destinado a caçar este animal e as antigas silhas dos ursos, vestígios da presença destes últimos no Parque Nacional da Peneda Gerês.

2. Padrão

Padrão
Padrão

Não, não é a aldeia de Sistelo, embora esta fotografia apareça em muitos guias como sendo aquela que é uma das mais famosas aldeias do Gerês. Trata-se da pequena localidade de Padrão, que faz parte da freguesia de Sistelo.

A maior parte dos turistas, quando visita esta região, fica por Sistelo e não segue em frente. Se seguir, encontra a belíssima aldeia de Padrão e os seus socalcos, tão ou mais deslumbrantes que os socalcos do Sistelo.

3. São Xisto

São Xisto
São Xisto

Como o próprio nome indica, aqui domina o xisto, em contraste com a margem oposto do rio Douro que daqui é possível avistar. Localizada em São João da Pesqueira, em pleno Douro vinhateiro, a aldeia de São Xisto é dominada por uma paisagem de cortar a respiração. É uma das mais bonitas e típicas aldeias do Douro Vinhateiro.

São várias as casas que vão sendo recuperadas, as ruas estão de novo limpas e arranjadas e o turismo rural começou a dinamizar a aldeia. São Xisto é uma varanda para o Rio Douro, que corre lá em baixo e está localizada bem no centro de toda a região vinhateira. É, portanto, um dos melhores locais para servir de base num passeio pelo vale do Douro.

4. Varge

Varge
Varge

A pequena e singela aldeia de Varge localiza-se no concelho de Bragança, no coração do Parque Natural de Montesinho, em Trás-os-Montes. É uma das mais típicas e genuínas aldeias transmontanas e famosa pelos seus caretos: os caretos de Varge. Mas ao contrário do que acontece em Podence, aqui os caretos andam à solta pelas ruas durante o Natal e não no Carnaval.

Chamam-lhe a “Festa dos Rapazes” e acontece todos os anos durante o solstício de Inverno. Entre os dias 24 e 26 de Dezembro, os jovens da aldeia (mesmo aqueles que partiram para outras paragens) reúnem-se para dar vida a uma das mais emblemáticas tradições populares portuguesas.

Fazem-no com um orgulho imenso na sua terra, na sua cultura e nas suas tradições. É um misto de honra, de dedicação e de respeito pelas suas origens que os motiva para que esta tradição secular se mantenha viva. Esteve quase a cair no esquecimento, tal como outras festas de outros caretos transmontanos, mas sobreviveu e hoje está mais forte do que nunca.

5. Travassos do Rio

Travassos do Rio (Fernando Ribeiro)
Travassos do Rio (Fernando Ribeiro)

Existem 2 aldeias com o nome Travassos em Montalegre. A esta é acrescentado “do Rio” por se localizar ao longo do vale do rio Cávado. É uma típica aldeia transmontana que fica já dentro do Parque Nacional da Peneda Gerês. As suas ruas e as suas casas são em pedra e o aspeto rústico está presente em todo o lado.

Travassos do Rio é famosa graças a um dos mais curiosos monumentos de Trás-os-Montes: a Torre do Boi. Esta enorme construção foi erigida em honra a um lendário boi da aldeia, animal muito importante nesta região, tanto pela carne como pelas famosas “chegas de bois”. Ao que parece, o lendário boi foi um campeão imbatível destas lutas.

Longe de tudo e de todos, Travassos do Rio conseguiu manter-se como uma aldeia típica e pouco afetada pelas construções modernas que tanto descaracterizaram outras aldeias. Um passeio pelas suas ruas permite descobrir fontes de água, fornos, casebres para animais e, claro, a famosa Torre do Boi.

6. Cevide

Cevide
Cevide (osmeustrilhos.pt)

Pouco conhecida, mas com grande significado, já que marca o início de Portugal, a aldeia de Cevide encontra-se no concelho de Melgaço e tem menos de meia dúzia de habitantes, hoje em dia.

Tem como vizinha a Galiza e a sua paisagem é marcada pelo rio Trancoso, que nasce na Portelinha e se estende por 13,6km, definindo de forma natural a fronteira entre Portugal e Espanha. Toda a região é hoje pouco povoada, estando bem preservadas a ribeira e as suas margens graças à pouca presença humana. 

A aldeia em si é pequena, tem apenas 3 habitantes, e o mais digno de visitar é a sua pequena capela. Modesta mas bonita e acolhedora, vale a pena entrar nela e apreciar os seus detalhes. E acima de tudo, converse com os moradores locais: terão com certeza muitas histórias para lhe contar, a maioria ligada às aventuras do contrabando.

7. Pontido

Pontido
Pontido

Quase 30 anos depois de ver partir o seu último habitante, a aldeia do Pontido, em Fafe, renasceu completamente das cinzas. Todas as casas foram recuperadas e transformadas em unidades de turismo rural. E a verdade é que é difícil resistir aos encantos desta aldeia recuperada: quase que se pode ouvir o chiar dos carros de bois nas calçadas de pedra da aldeia, tal como antigamente.

Localizadas nas águas puras e cristalinas do rio Vizela, a vegetação circundante convida a um passeio pela natureza. A jusante da aldeia fica a barragem da Queimadela e as suas praias fluviais, muito convidativas durante o Verão. A serra de Fafe e os seus trilhos também ficam perto e proporcionam ótimos passeios.

Diana Santos
Diana Santos
Nascida e criada em Barcelos, foi no Porto que estudou jornalismo mas chama casa à cidade de Guimarães. Alia o gosto pela escrita à sua paixão por viagens.

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